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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Região Mata Sul pode sofrer com novas enchentes, diz especialista

MATA SUL

Chuvas podem ser ocasionadas por alteração em corrente marítima, que está mais quente

Publicada em 17/01/2016 às 14h07.
Portal PE10
Por: Bruna Cavalcanti Fonte: Folha PE


O inverno na região Mata Sul do estado, que ocorre geralmente de maio a agosto, deve produzir transtornos semelhantes aos registrados há seis anos.

Em 2010, a violência das águas destruiu residências, deixando centenas de desabrigados. O terror vivenciado na época embasa as previsões de especialistas que apontam uma alteração no comportamento da Corrente Marítima Fria de Benguela. Atualmente, a corrente, de águas frias, está “anomalamente” quente, ou seja, as temperaturas estão mais altas que o normal.


Caso o quadro permaneça o mesmo até meados de abril, quando a Mata Sul se prepara para receber o inverno, a previsão é de chuvas rigorosas. A explicação é clara: quanto mais quente a corrente chegar, maior será a evaporação das águas do oceano, logo, mais formação de nuvens e, conseqüentemente, mais chuvas.


O professor de Geografia da UFPE, Lucivânio Jatobá, explica que o fator, atípico, poderá ter efeitos maiores devido a um fenômeno de chuvas concentradas chamadas Ondas de Leste. “Elas são as principais responsáveis pelas chuvas excepcionais em determinados pontos. No caso da Mata Sul pode voltar a sofrer inundações”.


A previsão acende o alerta para que os moradores que residem atualmente na área atingida anos atrás, como em Palmares principal cidade da região foi uma das mais atingidas por exemplo, fiquem atentos ao clima. “Caso a tese se confirme, o melhor que a pessoa tem a fazer é sair de onde está, porque essas ondas mudam de direção subitamente. Em 2010, as Ondas de Leste estavam concentradas em Alagoas. De repente, deram um giro e vieram para Pernambuco, causando as inundações”, relembra o professor Jatobá.


Na avaliação do meteorologista da Apac Ailton Dias, a tese do especialista, por enquanto, se confirma. “Não é motivo para pânico agora. Depende de como a corrente vai se comportar até abril. Ela agora está realmente quente porque o Atlântico Sul está com a temperatura bastante elevada. Caso a corrente esfrie, esse cenário caótico não ocorrerá”, comenta. Em abril, os metereologistas vão se reunir para avaliar a situação.

EL NIÑO

Uma das previsões de mudanças climáticas causadas pelo El Niño, fenômeno que se origina pelo aquecimento das águas do Pacífico além do normal e pela redução dos ventos alísios na região equatorial, para o Brasil era de fortes chuvas na região Sul e seca para o Nordeste. “Porém, o El Niño, no meu ponto de vista, está um pouco ‘desmoralizado’. Pelo menos, no nosso País. No Sertão, por exemplo, não está havendo seca, mas sim, muita chuva. E forte. Com uma situação de El Niño, não era para estar assim nessa área”.

A observação de Jatobá se confirma por meio do boletim da Apac. Pelo menos, na última sexta-feira, a previsão foi chuvas abundantes no Sertão, sendo registrada a maior chuva em Exu: só lá choveu 102 milímetros. Na Zona da Mata e no Agreste - o registro pluviométrico foi de 12 mm e 55 mm, respectivamente.

A justificativa para essa realidade é uma, segundo Jatobá: A maior parte do planeta é ocupada por massas oceânicas, logo, a atmosfera tem uma relação forte com o oceano. Isso significa dizer que o que acontece no oceano reflete, consideravelmente, sobre a atmosfera. Para se ter ideia, quando as águas do Oceano Atlântico Sul estão mais quentes que o Norte, aquele ano é uma maravilha para as chuvas no Sertão, que é o que está ocorrendo. “Mas, quando ocorre o contrário, o ano é de seca violenta, mesmo não tendo El Niño em Pernambuco”, comenta as informações são do Jornal Folha de Pernambuco.

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