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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Pelo menos 8 municípios de Pernambuco já tiveram contratos com empresa alvo da Operação Máfia Capital, do MPRN

Blog da Noelia Brito

Consulta ao Portal Tome Conta do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco revela que pelo menos 8 Prefeituras pernambucanas contrataram a empresa VIACON, alvo de buscas e apreensões e de mandado de prisão contra um de seus sócios, hoje, em desdobramento de Operação do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que contou com a colaboração do GAECO do MPPE, medidas estas realizadas no Recife e em Jaboatão dos Guararapes.

Chama atenção  o fato de que os contratos se deram pelas finalidades mais diversas, variando entre pavimentação de ruas a limpeza urbana, atividades que, segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte, foram contratadas por prefeituras do Rio Grande do Norte com indícios de fraude. A empresa já havia sido alvo de duas Operações anteriores por fraudes nos contratos de iluminação pública com a cidade de Natal e de Caicó.

Dos contratos com Prefeituras pernambucanas, extrai-se que pelo menos dois foram prorrogados, por meio de aditivos, portanto, sem licitação: com a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (contrato   
nº 016/2015, que em razão dos 3 aditivos tem validade prevista de 02/09/2015 até 02/09/2019, no valor de R$ 4 milhões) e com a Prefeitura de Palmares (Contrato nº 1/2017, por dispensa de licitação e que por ter sido objeto de 7 prorrogações por aditivos, sem licitações, obviamente, tem validade prevista de 17/01/2017 a 05/04/2019, no valor de R$ 11.046.024,00).

Com a Emlurb da Prefeitura do Recife, o contrato foi assinado em 10/05/2013 e teria valido até 10/05/2014, no valor de R$ 1.923.283,00, sem notícia de renovação no Tome Conta.

A Operação Máfia Capital, desencadeada hoje pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, como desdobramento da Operação Blackout, teve a colaboração do GAECO do MPPE.


quarta-feira, 8 de março de 2017

A importância da Lava-Jato

GERAL

Vinte e sete anunciados sobre a oportunidade de desmontar o mecanismo de exploração da sociedade brasileira


José Padilha

1)Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos. (Em meu ultimo artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. A diante me refiro a ele apenas como “o mecanismo”.)
2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.
3) No executivo ele opera via o superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e as empresas estatais.
4) No legislativo ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.
5) O mecanismo existe a revelia da ideologia.
6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.
7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.
8) No sistema político brasileiro a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar politicas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.
9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele tem poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.
10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que tem valores incompatíveis com a corrupção tendem a serem eliminados do sistema politico brasileiro pelo mecanismo.
11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.
12) A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)
13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.
14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em cheque o funcionamento do mecanismo.
15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.
16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.
17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.
18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.
19) Embora o mecanismo não possa conviver com um estado eficiente, ele também não pode deixar o estado falir. Se o estado falir o mecanismo morre.
20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...
21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)
22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes rígida, competente e com bastante sorte.
23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.
24) O Brasil atual esta sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantêlo funcionando.
25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.
26) Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.
27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.
José Padilha é cinesasta