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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

“Negros sempre foram colocados para cobrir samba ou polícia”, diz repórter sobre racismo na mídia

Jornalismo
     
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O racismo no mercado jornalístico e a luta para que negros conquistem seus espaços foi tema de debate nesta semana. Realizado no Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, o evento, que debateu o assunto por mais de duas horas, reuniu profissionais da imprensa. Na ocasião, um dos participantes, o repórter fotográfico José de Andrade, afirmou que negros sempre foram colocados para cobrir samba ou polícia. As informações são da própria entidade.
"A discussão do racismo não deve se dar somente em novembro. Tem que ser permanente, o ano todo – principalmente no meio jornalístico. Poucos são os que se destacaram fora dessas duas editorias (samba ou polícia). No entanto, nós estamos chegando. Onde antes tinha um, agora são três ou quatro. Isso incomoda os brancos, que passam a hostilizar a gente", disse o profissional, que faz parte do Coletivo de Fotógrafos Negros.
Além de Andrade, outros jornalistas participaram do evento, entre eles o fotojornalista Carlos Junior, que já foi vítima de racismo. Na ocasião, ele contou os episódios. A primeira vez, durante a Copa do Mundo, quando foi hostilizado por torcedores argentinos, e a segunda quando foi alvo de policiais ao cobrir uma manifestação. “Teve ainda a cobertura da visita do Obama, quando apenas eu e mais dois colegas éramos negros entre os mais de 40 fotógrafos credenciados. Ainda tive que ouvir comentários de outros profissionais, que questionavam se eu era capaz de fotografar o presidente americano”, lembrou.
Organizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira Rio) e Comissão de Segurança dos Jornalistas do Rio, o encontro faz parte do Ciclo de Debates Zumbi dos Palmares. Para o integrante da Corija Rio, Miro Nunes, o debate pode ajudar a promover a igualdade racial no mercado de trabalho. "Queremos trabalho especialmente para os mais jovens, os cotistas nas universidades e um melhor e mais aprimorado currículo no curso de jornalismo, que contemple horizontes interligados à luta da Cojira, como por exemplo, questões ligadas aos Direitos Humanos", explicou.

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