terça-feira, março 25, 2014

Piora na avaliação afeta ingresso de recursos no País

Piora na avaliação afeta ingresso de recursos no País

Dados do BC mostram que no primeiro bimestre do ano passado os estrangeiros compraram US$ 304 milhões em títulos de renda fixa no País

Victor Martins e Eduardo Rodrigues
                                                                                                                         Bruno Domingos/Reuters

Cliente troca reais por dólares em casa de câmbio: rombo do País com o exterior fechou o mês passado em US$ 19 bilhões, abaixo do previsto pelo mercado

Brasília - De olho na alta dos juros, os investidores estrangeiros aumentaram a compra de títulos públicos do País, ajudando a mitigar o ritmo de crescimento do déficit externo em fevereiro. Esse movimento, porém, tende a perder força com o rebaixamento da nota de crédito do País, depois que a agência de rating Standard & Poor's informou nesta segunda-feira, 24, que os papéis do governo são menos confiáveis.

Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que no primeiro bimestre do ano passado os estrangeiros compraram US$ 304 milhões em títulos de renda fixa no País. Nos dois primeiros meses deste ano, o valor cresceu para US$ 5,9 bilhões - sendo US$ 2,6 bilhões somente em fevereiro.

Com isso, o rombo do País com o exterior fechou o mês passado em US$ 19 bilhões, abaixo do previsto pelo mercado. Segundo o BC, o déficit deve atingir US$ 80 bilhões no final deste ano, ante uma projeção anterior de US$ 78 bilhões. Em 2013, o déficit foi de US$ 81,4 bilhões.

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o buraco ficou em 3,69% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde fevereiro de 2002, quando atingiu 3,94%.

Para especialistas, o aumento dos juros e a retirada total do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em junho de 2013, foram decisivos para o maior ingresso de capital estrangeiro em portfólio, que ajudou a frear o crescimento do déficit externo. Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, defende que esses não foram os únicos motivos. "Não teríamos esse nível de ingressos se não houvesse confiança no País", afirmou.